Quanto ganha um médico na Bolívia e como é o mercado de trabalho?

Saiba mais informações sobre quanto ganha um médico na Bolívia e as expectativas para ingressar no mercado de trabalho.

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O sonho de exercer a Medicina povoa a mente de boa parte dos estudantes no mundo inteiro. Não à toa, o curso está entre os mais disputados das universidade e entre os mais caros nas instituições privadas. O mesmo cenário é encontrado em vários países, principalmente na América do Sul. E como será o mercado de trabalho em diferentes nações? Quanto ganha um médico na Bolívia, por exemplo?

Antes de tratar de quanto ganha um médico na Bolívia, é importante entender que a remuneração percebida depende muito do país onde mora e a especialidade que exerce. Na América Latina, os médicos ganham mais no Brasil, Chile e Argentina, enquanto tem remunerações menores em Cuba. Na América do Norte e Europa, entretanto, os salários ainda são os mais rentáveis.

Mercado de trabalho na Bolívia

A Bolívia enfrenta uma sensível crise no que toca à falta de especialistas médicos. Um dos motivos é o acesso limitado aos cursos de especialização, associada ao sistema ineficiente de residência médica. Para se ter uma ideia, há déficit em 11 das 32 áreas de especialização, entre elas, clínicas, oncologia, nefrologia, endocrinologia, pneumologia, neurologia e terapia intensiva. 

Em 2016, foi anunciada a ampliação da rede hospitalar em 46 unidades. Um estudo feito pela Universidade de San Andrés, então, estipulou que a mão de obra necessária para atendimento seria de 4 mil especialistas, algo que, até então, não havia no país. Em 2019, entrevista com ministro da economia, Luis Acre, demonstrou otimismo com o crescimento econômico apontado no país, na contramão de vizinhos antes prósperos, como Argentina. 

Segundo ele, a pujança econômica se deve a medidas baseadas no “modelo econômico social comunitário produtivo”, que encontram na recuperação dos recursos naturais, nacionalização e industrialização seus principais pilares. Isso desencadeou melhorias na produção e, consequentemente, nos salários. Segundo o poder público, o intuito seria chegar a 2025 com a pobreza extrema zero. 

Entretanto, o cenário teve uma reviravolta no final de outubro de 2019, mediante pol reeleição de Evo Morales. Apesar de sua boa gestão econômica e estabilidade institucional, o candidato ao quarto mandato enfrenta forte oposição, razão pela qual protestos eclodiram nas ruas da capital, La Paz. Muito provavelmente, esse tipo de situação pode refletir na economia e, consequentemente, postos de trabalho. 

Quanto ganha um médico na Bolívia?

Infelizmente, o quadro remuneratório para os médicos na Bolívia não é dos mais favoráveis. Além do grave problema relativo à especialização, os profissionais bolivianos estão entre os piores pagos da América Latina. O salário inicial de médicos recém-formados é de 6 mil bolivianos (Bs) com contratos que se estendem por um ano ou mais. A incorporação do profissional se dá após a aplicação de um exame. 

Dois anos depois do ingresso, o salário passa para a média de 10 mil bolivianos (Bs), mas ainda é relevante o difícil acesso a especializações. Entretanto, a realidade é diferente para os médicos lotados no serviço público que, por sua vez, chegam a perceber remunerações de 4 mil a 5 mil bolivianos (Bs). Para efeitos de conhecimento, o salário mínimo na Bolívia, hoje, é de 2.060 bolivianos (Bs).

Este é mais um dos motivos pelos quais há baixa de especialistas no país. Mediante a dificuldade de acesso aos cursos de especialização, muitos profissionais ainda em formação ou recém-formados partem para o exterior, a fim de completar seus estudos. Ao chegar lá, encontram melhores salários e mais acessibilidade de capacitação. Consequentemente, não retornam à terra natal. 

Medida recente também causou certo descontentamento na classe médica boliviana. No primeiro trimestre de 2019, o governo anunciou subsídios a médicos cubanos que fossem trabalhar no país. A proposta foi o financiamento dos salários de 7 mil bolivianos (Bs), além do pagamento das passagens aéreas e moradia. Trata-se de um convênio firmado há mais de vinte anos entre Cuba e Bolívia que, então, foi renovado em junho de 2018.

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