Conheça 12 festas típicas da região Centro-Oeste

Composta por três estados e o Distrito Federal, a região carrega fortes influências religiosas, algo representado em suas festividades.

Imagine uma região com três estados mais o Distrito Federal que faz fronteira com todas as regiões do Brasil. Pense, ainda, na influência exercida por tudo isso somado aos povos indígenas, africanos e sul-americanos sobre a população superior a 14 milhões de habitantes. Isso é Centro-Oeste, região formada pelos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da própria capital federal. Não à toa, as 12 festas típicas da região Centro Oeste representam bem tanta diversidade. 

Rica econômica e culturalmente, a região Centro Oeste tem suas tradições representadas nas festividades, a maior parte delas de cunho religioso. Nelas, é possível perceber a forte influência do cristianismo, ao mesmo tempo em que persistem as religiões indígenas e de matriz africana. Algumas delas, como a Festa do Divino em Trindade, se colocaram no calendário de eventos do país e atraem milhares de fiéis, representando importante aspecto econômico para a região. 

Conheça, a seguir, festas típicas do Centro Oeste separadas por estado, no intuito de organizar as descrições. Mas, lembramos que muitas delas são realizadas também em outras regiões, ainda que carregando características específicas de seus moradores.

Festas Típicas do Centro Oeste do Brasil

Goiás

Procissão do Fogaréu

A Procissão do Fogaréu é importante festa de cunho religioso realizada há mais de 260 anos na Cidade de Goiás, terra da poetisa Cora Coralina. Emblemática, a procissão traz, na Semana Santa, encenação da perseguição de Jesus Cristo. À meia-noite da Quarta-Feira das Trevas, todas as luzes da cidade se apagam enquanto 40 encapuzados, os farricocos, iniciam um caminho pelas e becos, desde a Igreja da Boa Morte até a Igreja do Senhor dos Passos.

Pelo caminho, entoam canções oitocentistas ao som cadenciado de caixas, sempre acompanhados de centenas de fiéis. A prisão de Jesus Cristo é representada pelo toque de um clarim e, sua morte, pelo sermão do bispo local. 

Procissão do Fogaréu

Romaria do Muquém

Niquelândia ou, mais precisamente, o povoado do Muquém, é palco da Romaria do Muquém, festa em louvor de Nossa Senhora da Abadia. Realizada entre os dias 5 e 15 de agosto, a celebração reúne missas, batizados, casamentos e procissão. Romeiros pagam promessas e aproveitam as barracas com comidas típicas, além do comércio de artesanatos.

Romaria do Muquém

Festa do Divino Pai Eterno

Trindade, a capital goiana da fé, sedia a Festa do Divino Pai Eterno, uma das mais importantes celebrações religiosas do país. A romaria teve início em 1840, quando moradores do então arraial de Barro Preto encontraram uma medalha de barro que ilustrava a coroação de Nossa Senhora pela Santíssima Trindade. Com o tempo, a medalha deu lugar à imagem esculpida pelo artista plástico Veiga Valle.

A festa acontece entre a última semana de junho e o primeiro domingo de julho carregando, como forte tradição, a figura dos carros de boi que partem de diversas regiões do estado rumo à Basílica de Trindade.

Festa do Divino Pai Eterno em Trindade

Congada de Catalão

Uma das festividades mais antigas de Goiás, a Congada de Catalão acontece há mais de 125 anos e tem origens africanas. Dividida em duas partes (religiosa e folclórica), grupos de dançarinos chamados congos dão início às atividades quando se reúnem na Igreja de Nossa Senhora do Rosário. De lá, saem pelas ruas no segundo domingo de outubro trazendo missas, procissão, terço, além da apresentação de música e dança. Há, ainda, visitas às casas dos moradores pioneiros.

A Congada de Catalão era celebrada inicialmente por integrantes da Irmandade do Rosário, mas hoje, reúne cerca de 1,3 mil dançadores.

Congada de Catalão

Cavalhadas

Tradicional festa de Pirenópolis, cidade histórica a 120 km da capital, Goiânia, que já faz parte do calendário de eventos locais. As Cavalhadas são a representação da batalha medieval entre os cavaleiros cristãos (vestidos de azul) e os mouros (vestidos de vermelho). Realizada ao ar livre, a festa tem duração de três dias representando, no encerramento, a vitória cristã e a conversão dos mouros ao cristianismo. 

Além de Pirenópolis, as Cavalhadas também são encenadas em Palmeiras de Goiás, também representando a luta de Carlos Magno, imperador dos francos (800 d.C.) e seus aliados investidos pela Igreja Católica contra os Sarracenos (Mouros), povos bárbaros que haviam invadido a Península Ibérica.

Cavalhadas, em Pirenópolis (GO)

Exposição Nacional de Orquídeas

Cores, beleza e muita exuberância traduzem bem o que é a Exposição Nacional de Orquídeas, sediada em Piracanjuba. Realizado há mais de duas décadas no terceiro final de semana do mês de maio, o evento reúne colecionadores e vendedores de orquídeas do Brasil e do mundo. Os expositores trazem, anualmente, cerca de 25 mil flores dos mais diversos pontos do globo.

Exposição Nacional de Orquídeas, em Piracanjuba

Festa de Nossa Senhora do Pilar

Festa de Nossa Senhora do Pilar acontece desde 1690 na cidade de Pilar de Goiás. No primeiro sábado de setembro, fiéis se reúnem para missas, procissões, novenas, desfile cívico e assistir às tradicionais cavalhadas.

Cavalhadas na Festa de Nossa Senhora do Pilar

Mato Grosso

Festa do Congo

A Congada ou Dança do Congo tem origens africanas e louvam a São Benedito nas cidades de Vila Bela da Santíssima Trindade e Nossa Senhora do Livramento. Celebrada em julho, durante as festividades ao santo negro, dramatiza a luta entre dois reinados africanos. Na cidade de Vila Bela, homenageia os negros que permaneceram na região após a transferência da capital para Cuiabá.

Festa do Congo, em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT)

Festival de Cururu e Siriri

O cururu é uma dança típica representada por homens e traz herança dos paulistas. Integra as celebrações da Festa do Divino e é embalada pelo som da viola de mocho, reco reco e ganzá. Recebe, ao mesmo tempo, as classificações de sacra e profana, pelas funções religiosas e os desafios dos trovadores, respectivamente. A primeira acontece após as orações aos santos de devoção popular enquanto, a segunda, demonstra trovas de amor, declarações e desabafos. 

Festival de Cururu e Siriri

Mato Grosso do Sul

Festa do Divino

A Festa do Divino é celebrada em diversos municípios do estado e tem a pomba branca como símbolo. A ave é estampada em bandeiras de cetim vermelho e branco trazida pelos festeiros escolhidos por sorteio que, também, devem organizar a festa. Cada um carrega uma insígnia sagrada durante a procissão, sendo elas a coroa (levada pelo Imperador), o centro (carregado pela Imperatriz), a bandeira rica (pelas mãos do Alferes da Bandeira) e a bandeira pobre (Capitão do Mastro).

Festa do Divino

Boi à Serra

A Festa do Boi à Serra é uma ode aos bois e vaqueiros destemidos, personagens simbólicos da região pastoreira. Acontece desde fins do século XVIII e foi difundida por cidades como Antônio do Leverger, Varginha, Carrapicho, Engenho Velho, Bom Sucesso e Maravilha.

Festa do Boi à Serra, em Antônio do Leverger

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

Festa de São Benedito

A Festa de São Benedito é uma das mais tradicionais celebrações religiosas dos dois estados. Realizada no mês de julho, existe desde o ano de 1897 e, inicialmente, era celebrada apenas pela alta sociedade cuiabana. Mas, os escravos africanos tinham o santo como padroeiro e protetor e, por isso, atingiu as camadas populares. Na festa, há rituais como procissões e visitas às casas carregando a bandeira com o santo.

Festa de São Benedito
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