11 danças típicas populares do Maranhão – conheça e apaixone-se!

Além dos vários sotaques do Bumba Meu Boi, o estado tem variadas representações populares, muitas delas de matriz africana.

A história e cultura do Maranhão estão entre as que mais contribuíram para a construção de nosso país. Com sua população miscigenada é formada por negros, europeus, sírio-libaneses e migrantes de outras partes do Nordeste, compondo uma diversidade representada nas tradições. Obviamente, as matrizes de toda essa herança encontram-se espelhadas nas 11 danças típicas populares do Maranhão. 

Aliás, a diversidade encontrada nas danças e ritmos maranhenses encanta moradores e visitantes que desejam conhecer as expressões da cultura popular do estado. Muito além dos sotaques patrimoniais do Bumba-meu-boi, temos os toques do tambor de crioula e os acordes da sanfona, só para citar alguns dos componentes da grande diversidade de danças que compõem este caldeirão.

A seguir, conheça e apaixone-se pelas 11 danças típicas populares do Maranhão. Vai ser difícil não sair dançando após ler sobre elas! 

Danças típicas maranhenses

1 Bumba meu Boi

O Bumba-Meu-Boi, com todo o seu espetáculo de cores, danças e ritmos, é a expressão máxima da cultura popular maranhense. Declarado Patrimônio Imaterial do povo brasileiro, o Bumba meu Boi tem elementos culturais africanos e europeus de fundo religioso, embora suas origens ainda permaneçam incertas. Em todo o estado, mais de quatrocentos grupos de Bumba-Meu-Boi entoam cinco sotaques dessa manifestação popular, sendo eles.

  • Sotaque de Zabumba

O Sotaque de Zabumba é o ritmo original do Bumba-meu-boi e traz consigo forte influência africana. Personagens vestidos com saiotas bordadas, golas e chapéus de fitas coloridas dançam com os Bois Fé em Deus e de Leonardo ao som de pandeirinhos, maracás, tantãs e zabumbas.   

  • Sotaque de Orquestra

O Sotaque de Orquestra, no qual estão os Bois de Axixá, Boi de Sonhos e Boi de Nina Rodrigues, incorporou outras influências, além da presença de instrumentos de sopro e cordas. Os personagens trajam vestimentas elaboradas e distintas de outros ritmos. 

  • Sotaque de Pindaré

Matracas e pandeiros pequenos dão o ritmo do Sotaque de Pindaré, cujo destaque é o personagem Cazumbá, uma mistura de homem e bicho. Os bois da Baixada, o Boi de Apolônio, Boi de Pindaré e o Boi Unidos de Santa Fé são os grandes artistas desta manifestação.

  • Sotaque de Costa de Mão

O Sotaque de Costa de Mão é a manifestação típica da região de Cururupu, também conhecida como Floresta dos Guarás. O nome vem dos pequenos pandeiros tocados usando as costas das mãos. Os brincantes usam, na manifestação, roupa em veludo bordado, chapéus em forma de cogumelo com fitas coloridas, além de grinaldas de flores. O personagem mais tradicional é o Boi de Cururupu.

  • Sotaque da Ilha ou de Matraca

O Sotaque da Ilha ou de Matraca identifica os bois originários da ilha de São Luís, também chamados pandeirões, que utilizam as matracas como principais instrumentos. Os bois deste sotaque, como o Maracanã, Maioba e Madre Deus, são os mais populares e formam verdadeiras nações. 

As celebrações e o trabalho que permeia a festa do Bumba meu Boi duram o ano inteiro, mas é durante os festejos juninos que a manifestação reina. Um dos maiores desafios da preparação é, justamente, aprontar o couro do boi, um revestimento de camurça decorado com canutilhos que recobre todo o corpo do animal. O ideal é que este revestimento seja renovado a cada temporada. 

2 Tambor de Crioula

O Tambor de Crioula é uma manifestação de raízes africanas que só existe no Maranhão, reconhecido como Patrimônio Imaterial Brasileiro em 2011. A dança alegre e irreverente é praticada em homenagem ao São Benedito, o Santo Preto. O tambor de crioula é dançado apenas por mulheres, as coureiras, enquanto os homens, os tocadores, apenas tocam os tambores feitos de troncos de árvores e recobertos de couro de cabra.

No total, são três tambores. O grande, ou roncador, faz a marcação para a punga. Já o meião, ou socador, é responsável pelo ritmo dança, enquanto o pequeno, ou crivador, faz o repicado. Elas, vestidas de extravagantes saias rodadas e coloridas, blusas rendadas, turbantes e uma explosão de colares, dançam em roda, em cujo centro evolui apenas uma das coureiras. 

O ponto alto da festa, inclusive, é quando a dançarina que está no meio é substituída por outra com um “choque de barriga com barriga”, a umbigada ou punga. O tambor de crioula não tem um calendário fixo, mas ganha as ruas, praças, casas e terreiros de São Luís, com maior intensidade, no Carnaval, festas de São João e nas rodas de Bumba meu Boi, normalmente ocorridas a partir do 2° sábado de agosto.

3 Dança do Cacuriá

A Dança do Cacuriá surgiu nas festividades do Divino Espírito Santo, como uma parte profana. Integrante das festividades juninas do estado, a dança é feita em pares com praticantes embalados pelas  caixas do Divino, pequenos tambores de percussão. Versos improvisados e respondidos por um coro de brincantes compõem a parte vocal. A representante mais conhecida da Dança do Cacuriá é Dona Teté do Cacuriá, de São Luís.  

4 Dança do Caroço

A Dança do Caroço é uma manifestação de origem indígena concentrada, especialmente, no município de Tutóia, na região do Delta do Parnaíba. Democrática, pode ser praticada por integrantes de qualquer gênero ou idade, que respondem às toadas improvisadas pelos cantadores, sempre embalados pela cuíca, cabaça e tambores. Todos dançam livres, formando uma roda ou cordão.  

5 Dança do Lelê

A Dança do Lelê é proveniente das danças de salão trazidas pelos povos ibéricos, particularmente os franceses, no século XIX. Especialmente praticada nos municípios de Rosário e Axixá, na região do Munim, é também conhecida como Dança do Péla. O nome vem da antiga tradição de reunir pessoas para matar galinhas e “pelar” porcos, garantindo a fartura no dia seguinte à festa. 

Os instrumentos que embalam os cantos são violão, cavaquinho (ou banjo), pandeiro, castanholas, flauta (ou pífano) e rabeca. Em pares, homens e mulheres se dispõem em filas liderados pelo mandante, a pessoa que é responsável por coordenar a brincadeira. O primeiro par da fila é a cabeceira de cima (que também podem ser os mandantes), enquanto o último é chamado de cabeceira de baixo. 

Os cantos, por sua vez, podem ser tirados de improviso e vão seguindo conforme a dança, dividindo-se em quatro partes:

  • Chorado: início da festa, quando cantador e tocadores convidam para a dança. É quando os pares são formados para constituir os cordões. 
  • Dança Grande: o segundo momento (e mais longo) da dança, no qual os brincantes apresentam coreografia diversificada enquanto homens e mulheres se cortejam.
  • Talavera: uma das principais partes da dança, na qual os brincantes dançam de braços dados. Ah, e deve ser dançada na madrugada.
  • Cajueiro: parte final da dança, quando os brincantes saúdam os músicos, dono da casa e demais presentes, fazendo evoluções conhecidas como “juntar castanhas e entregar o caju”. Deve acontece ao amanhecer. 

Apesar de representar uma dança de salão profana, costuma ser dançada em homenagem a algum santo ou para pagamento de promessas ao longo do ano. No entanto, é comum que os brincantes a pratiquem nas seguintes datas: 

  • Festa do Divino (maio)
  • Festa de Santo Antônio (junho)
  • Festa de São Benedito (agosto)
  • Festa de Nossa Senhora da Conceição (dezembro) 
  • Dia de Reis (janeiro)

6 Dança do Coco

A Dança do Coco é uma manifestação de forte influência africana e indígena, nascida com o canto de trabalhadores nos babaçuais do interior do Maranhão. Ainda hoje, é celebrada nas fazendas de cana de açúcar e pecuária, principalmente nas regiões dos Lagos e Campos Floridos. A dança de roda não tem coreografia complexa, mas é sempre acompanhada pelos pandeiros, ganzás, cuícas e palmas dos brincantes.  

Falando neles, seus trajes incluem pequenos cofos e machadinhas, imitando os instrumentos de trabalho usados nos babaçuais. Atualmente, a Dança do Coco é manifestada na capital como forma de resgate e valorização dos folguedos surgidos no interior.

7 Tambor de Mina

O Tambor de Mina é a denominação mais comum para o culto originado em São Luís que, depois, foi sendo difundido para outros estados. Seu nome vem da expressão Negro-Mina, como os escravos provenientes da costa da Mina, atual Gana, eram chamados quando chegavam ao Brasil. De origem afro, a manifestação da religiosidade popular tem lugar em casas de culto, os terreiros.

O tambor de mina tem duas casas principais, sendo elas a Casa das Minas, mais antiga, e a Casa de Nagô, que originou outros terreiros na capital. Nas celebrações, são usados instrumentos como tambores, cabaças, triângulos e agogôs. 

8 Quadrilha

A quadrilha nasceu no Império, época em que era dança preferida para abrir os bailes da corte. Depois, ultrapassou as barreiras dos salões palacianos para ganhar as ruas. É claro que, no Nordeste, com toda a sua alegria, ganhou um colorido especial em suas vestimentas e decorações, além do som do baião.

9 Dança portuguesa

A dança portuguesa trazida pelos europeus da “terrinha” teve grandes adeptos nas comunidades maranhenses. Ainda hoje, os praticantes dançam ao som de fados e viras, sempre aos pares. As mulheres usam meias, lenços e leques. Já os homens trazem adereços como chapéus, luvas e bengalas. 

10 Dança de São Gonçalo

A Dança de São Gonçalo é um baile de origem portuguesa em louvor a São Gonçalo do Amarante, que viveu no século XIII. Segundo a tradição popular, São Gonçalo é um santo casamenteiro e dançador. Diz-se que, enquanto vivia, tocava viola e dançava com mulheres para convertê-las, fazendo o sacrifício de usar pregos em seus sapatos. Normalmente, é dançada como pagamento de promessa ou voto de devoção. 

Dois cordões de mulheres se colocam em frente a um altar, trazendo a imagem do santo violeiro. Acompanhadas pela viola e rabeca, as dançarinas se alternam nas quadras decoradas ou tiradas de improviso, em uma só voz, fazendo movimentos para a esquerda e para a direita.  

11 Bambaê de Caixa

O Bambaê de Caixa é uma dança de roda muito presente nos municípios da Baixada Ocidental Maranhense, especialmente em São Bento e Cajapió. A dança de coreografia complexa traz seus praticantes (casais) dispostos em roda. Os integrantes dançam com passos rápidos e variados, dançando, ora frente a frente, ora de costas, sempre embalados por instrumentos de percussão. 

Então, gostou das danças típicas do Maranhão? Já conhecia alguma delas? Pense em todas como manifestações culturais que preservam a tradição de um povo, resgantando seus valores. 

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