Fatos e curiosidades sobre a incrível Ilha de Páscoa

Também conhecida como Rapa Nui, a Ilha de Páscoa é conhecida pelas imensas estátuas moais espalhadas por seu território.

A Ilha de Páscoa, também conhecida como Rapa Nui, é uma pequena ilha conhecida por suas enormes estátuas moai espalhadas por todo o seu território. Aliás, o mundo é fascinado por tais construções, não só pelo tamanho, como também pelas circunstâncias em que foram construídas. Graças ao seu passado um tanto ambíguo, a ilha exala mistério e sua história foi cercada de mitologia. Se você é uma das pessoas encantadas por essa região, conheça agora fatos e curiosidades sobre a incrível Ilha de Páscoa

Visão da Ilha de Páscoa e do mar
A Ilha de Páscoa

A pequena Ilha de Páscoa está localizada no Oceano Pacífico, 3600 km a oeste do Chile. Para que se tenha ideia de sua posição remota, um voo desde Santiago, capital do Chile, que é a conexão aérea mais próxima, leva cerca de 5 horas. 

Historiadores e antropólogos passaram décadas tentando entender a cultura dos primeiros habitantes, além das imponentes estátuas moais que eles construíram. Naquela época, Rapa Nui tinha recursos limitados, sem muita água potável, gado e metal. 

Logo, fica o questionamento acerca do transporte dos moais. As estátuas foram transportadas para o destino final por vários quilômetros em terreno montanhoso, sob a supervisão de um chefe tribal. 

Esse é apenas um dos mistérios que rodeiam a Ilha de Páscoa, completando os fatos e curiosidades sobre aquele que se encontra entre os lugares mais remotos do mundo.   

Onde fica a Ilha de Páscoa

A Ilha de Páscoa é a ilha habitada mais isolada do mundo. Por isso, foi classificada em primeiro lugar no Índice de Isolamento das Nações Unidas. Encontra-se no Oceano Pacífico e, embora ainda esteja a 3.800 quilômetros de sua costa, o Chile é o país mais próximo. 

Em 1888, o país anexou a ilha ao seu território, de modo que Rapa Nui segue como parte da região chilena de Valparaíso. A única maneira de chegar à Ilha de Páscoa é de avião, pois não há portos.

A viagem mais curta sai do aeroporto de Santiago, no Chile, e leva cinco horas. Também é possível sobrevoar em sete horas saindo do Taiti.

História da Ilha de Páscoa

Há milhares de anos, um grupo de polinésios empreendeu viagem pelo Oceano Pacífico em busca de uma nova terra. Até chegar à atual praia de Anakena, onde desembarcou o Rei Hotu Matu’. A pequena ilha foi chamada de Te Pito o te Henua, que significa “O Umbigo do Mundo”, tendo em vista que, na ideia dos moradores, não havia um lugar mais distante. 

E de onde vem o nome pelo qual é conhecida? No domingo de Páscoa de 1722, o almirante holandês Jacob Roggeveen chegou a esta ilha isolada da Polinésia. Devido à data, resolveu chamá-la de Paasch-Eyland, traduzido em holandês para “Ilha de Páscoa”.

Almirante holandês Jacob Roggeveen (Fitmoos, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons)
Almirante holandês Jacob Roggeveen (Fitmoos, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons)

Porém, a ilha também é conhecida por Rapa Nui, nome dado à sua população indígena e que ainda é usado pelos habitantes. Embora haja uma lacuna na história registrada entre as chegadas de Hotu Matu’a e Roggeveen, acredita-se que a ilha manteve uma população próspera de cerca de 10.000 pessoas por muitos anos. No entanto, quando colonizadores europeus chegaram, o número caiu para cerca de 2.000 a 3.000. 

A redução na população tem várias explicações. Uma delas é o desmatamento, uma vez que a perda de árvores expôs os solos vulcânicos à erosão, reduzindo a quantidade de terras férteis. 

Porém, segundo a tradição oral, também houve guerra civil e canibalismo entre os habitantes. Após a chegada dos europeus, lutas internas entre grupos sociais foram travadas, queimando totalmente plantações e casas. Os resultados foram fome e falta de moradia. 

Além disso, as incursões de traficantes peruanos de escravos, a introdução de doenças europeias e a emigração contribuíram para que, em 1877, apenas 111 pessoas permanecessem na ilha. 

Contudo, não dá para menosprezar a riqueza dessa cultura. Gerações se passaram desde a chegada dos primeiros polinésios, de forma que os habitantes construíram uma civilização capaz de esculpir, erguer e transportar estátuas monolíticas gigantescas com suas próprias mãos e pedra. 

Ademais, criaram uma escrita glífica chamada roŋo-roŋo. Assim, nascia uma cultura cheia de conquistas, intelecto, música e lendas, apesar do ambiente inóspito onde se encontrava. Sem dúvida, suas crianças foram bem ensinadas sobre sua história e quem são. 

As estátuas moais da Ilha de Páscoa

Sem dúvida, as estátuas moais da Ilha de Páscoa são seu grande atrativo e, também, o grande mistério. Elas foram feitas de tufo, cinza vulcânica solidificada que pode ser encontrada na cratera vulcânica Rano Raraku. Como o tufo é uma rocha bastante macia, os ilhéus puderam esculpí-la à mão com cinzéis de pedra. 

As estátuas foram então retiradas da mina para seus pontos de descanso ao redor da ilha. Entretanto, todo esse caminho foi contado apenas pela história oral, transmitida de geração em geração. 

Logo, não há indicação de como as estátuas na Ilha de Páscoa eram transportadas. Considerando que muitas delas têm corpos enterrados no subsolo e a mais pesada pesa 82 toneladas, trata-se de um feito impressionante. 

O povo Rapa Nui esculpiu essas enormes esculturas de pedra para representar os rostos de ancestrais venerados, supostamente enterrados sob o ahu (plataforma). Todas elas estão voltadas para dentro, mostrando proteção umas às outras.

As estátuas Moai da Ilha de Páscoa estão todas orientadas para o interior da ilha
As estátuas Moai estão todas orientadas para o interior da ilha

Os nativos também acreditavam que o espírito da pessoa zelaria pela tribo e traria boa fortuna. Por isso, as estátuas são chamadas de Moai. A palavra vem de Rapa Nui e significa “para que ele exista”. 

Alguns dos moai têm pukao, estrutura semelhante a um chapéu na cabeça. Algumas teorias consideram que é uma expressão de poder, enquanto outras afirmam representar cabelos. Existem cerca de 900 Moai na Ilha de Páscoa, em várias fases de construção. 

Estátua Moai com Pukao (Chápeu) na Ilha de Páscoa
Algumas estátuas moai da ilha possuem uma espécie de chapéu (pukao), que, segundo algumas teorias, é uma representação de poder

O tamanho médio de uma estátua Moai é de 4 metros de altura e 14 toneladas. Originalmente, havia milhares de estátuas moai, mas antes de a ilha ser declarada Patrimônio Mundial da UNESCO, em 1995, muitas foram tomadas por colecionadores. Hoje, exemplares podem ser encontrados em museus de todo o mundo, como o Louvre e o Museu Britânico. Ademais, o maior deles pode ser visto no Google Earth. 

A Ilha de Páscoa hoje

Os quase 8 mil habitantes de Rapa Nui hoje vivem em casas convencionais, isto é, com janelas e portas. A cidade de Hanga Roa tem eletricidade gerada por motores a diesel, embora falhe ocasionalmente devido a falhas ou manutenção. O acesso à Internet é limitado e disponível apenas no centro da cidade. 

As línguas oficiais são o espanhol e o rapa nui. Frutas e vegetais frescos são trazidos de avião, enquanto os demais alimentos e material de construção são enviados mensalmente por navio. Se ele atrasar, não há mercadoria. 

Após a NASA estender, em 1987, a pista do aeroporto para possíveis pousos de emergência do ônibus espacial, o turismo aumentou consideravelmente. Ainda cresce, em média, 20% ao ano, sendo a principal fonte de renda dos ilhéus

Para se ter uma ideia, Rapa Nui recebe anualmente cerca de 100 mil turistas. Apesar da localização remota, os serviços turísticos da ilha estão preparados para receber e cuidar bem dos visitantes. A moeda oficial é o peso chileno (CLP), embora dólares americanos também sejam aceitos.

Turismo na Ilha de Páscoa
A Ilha de Páscoa recebe anualmente cerca de 100 mil turistas, número que continua crescendo e pode levar a uma limitação às visitas no local

Fatos interessantes sobre a Ilha de Páscoa

  • Os Rapa Nui são polinésios, como os hawaianos, taitianos e os maoris da Nova Zelândia. 
  • Música, dança e arte sempre foram uma parte central da cultura Rapa Nui. A ilha hoje faz parte do Chile, logo, as influências sul-americanas ameaçam a existência da frágil cultura Rapa Nui, da qual apenas 3.000 pessoas fazem parte.
  • Até a década de 90, a maioria dos bebês recebia nomes em espanhol, idioma ensinado a eles. Com o turismo e o fortalecimento da identidade, os recém-nascidos passaram a receber nomes Rapa Nui e os pais tentam falar a língua nativa tanto quanto possível. 
  • O clima de Rapa Nui é classificado como subtropical. Costuma ventar muito, especialmente nos cumes dos vulcões.
  • O Festival Tapati Rapa Nui é uma celebração anual realizada nas duas primeiras semanas de fevereiro. A ilha se divide em duas equipes, cada uma  lideradas por sua rainha, com a vencedora sendo coroada “Rainha da Ilha”. Durante o festival, os ilhéus participam de atividades tradicionais, como dança, escultura em madeira e música tocada em cavaquinhos parecidos com guitarras elétricas.
  • O kohau rongo-rongo, também conhecido como escritura rongo-rongo, é um texto ainda não decifrado que consiste em glifos esculpidos em madeira ou tabuinhas. Rongo-rongo significa “a grande mensagem” ou “o grande estudo”. Então, dizem que o grande líder, Hotu Matu’a, tinha 67 tabuinhas que correspondiam às 67 sabedorias Maori, incluindo astronomia e navegação. No entanto, o real significado ainda é desconhecido.
  • As águas cristalinas do Oceano Pacífico, ao redor da ilha, são consideradas as mais transparentes do mundo. Tem visibilidade fantástica até a profundidade de 50-60 metros, criando as condições perfeitas para mergulhadores, que podem desfrutar de um mergulho entre corais e peixes de todas as formas e cores.
  • Os tesouros culturais e arqueológicos da Ilha de Páscoa foram os primeiros, de qualquer nação insular do Pacífico, a serem registrados pela UNESCO na Lista de Patrimônio Mundial. 
  • Nenhuma das estátuas Moai estava de pé quando os cientistas chegaram pela primeira vez à ilha. Assim, as que se encontram de pé hoje foram reerguidas.
  • Embora comumente conhecidos como “Cabeças da Ilha de Páscoa”, foi descoberto, em 2012, que todas as cabeças dos moais têm corpos inteiros que ficaram submersos.

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