Monte Rushmore – história, polêmicas e curiosidades deste cartão-postal americano

A construção leva os rosto de quatro presidentes dos Estados Unidos e tem alguns mistérios escondidos em uma câmera secreta.

O Monte Rushmore, um dos principais cartões-postais dos Estados Unidos, virou notícia durante no ano de 2020. E, não foi por sua história e curiosidades acerca da misteriosa câmera secreta que existe lá dentro, mas por acusações de racismo estrutural quando o presidente Donald Trump fez uma visita no Independence Day. Mas, o que a história e curiosidades do Monte Rushmore contam sobre isso?

Monte Rushmore, em Keystone (Dakota do Sul), nos EUA
Monte Rushmore, em Keystone (Dakota do Sul), nos EUA

Localizado em Keystone, na Dakota do Sul, o Monte Rushmore é um monumento no qual  estão esculpidos os rostos de quatro Presidentes dos Estados Unidos. Trata-se da maior escultura lapidada em montanha no mundo, trazendo rostos gigantescos que medem entre 15 e 21 metros de altura. Graças à popularidade e número de visitas, o monte dá ao estado a alcunha de The Mount Rushmore State.

E, por que a polêmica acerca da visita? Ativistas membros da comunidade de americanos nativos apontam o Monte Rushmore como símbolo da supremacia branca por homenagear lideranças políticas hostis aos povos originais. Mais ainda, teriam roubado as terras daqueles que ali habitavam para esculpir os rostos presidenciais. Ainda, acusam os próprios presidentes de manter escravos negros ou apoiar o enforcamento de muitos deles.

As acusações ganharam força com os protestos contra a morte de George Floyd por policiais em Minneapolis. E, elas não param por aí! Segundo o historiador Tom Griffith, o escultor Gutzon Borglum, responsável pela obra, teria integrado o grupo supremacista Ku Klux Klan. Bom, polêmicas à parte, a escultura é uma das mais visitadas no país. Por isso, conheça a história e curiosidades do Monte Rushmore e tire suas próprias conclusões.

História do Monte Rushmore

O Mount Rushmore está localizado no Black Hills de Keystone, Dakota do Sul, e foi esculpido nas rocha do granito entre 1927 e 1941. A ideia foi do historiador Doane Robinson, da Sociedade Histórica de Dakota do Sul, que pretendia criar uma atração que trouxesse visitantes ao parque Black Hills. O desejo era esculpir Lewis e Clark, Red Cloud e Buffalo Bill, heróis dos filmes de velho oeste.

Naquela época, o escultor Gutzon Borglum, ex-aluno do grande escultor francês Auguste Rodin, trabalhava em um monumento na região de Stone Mountain, na Geórgia. O historiador, então, entrou em contato e expôs sua ideia. Borglum se interessou pelo projeto, mas ponderou que as figuras representadas trouxessem enfoque nacionalista. Assim, para atrair atenção e o apoio dos patrióticos americanos propôs homenagem aos presidentes.

Monte Rushmore antes das obras de escultura
Monte Rushmore antes das obras de escultura

As reuniões para tratar do assunto se estenderam por 1924 e 1925, período em que Borglum identificou o Monte Rushmore como o local perfeito para o monumento desejado em virtude de diferentes fatores, tais como:

  • altura da encosta sobre a área circundante
  • composição de granito, retardando a possibilidade de erosão
  • posicionamento frontal relativo ao sudeste, aproveitando o nascer do sol

Foram escolhidos quatro presidentes que representavam os primeiros 130 anos de história dos Estados Unidos: George Washington (presidente de 1789 a 1797), Thomas Jefferson (1801 a 1809), Abraham Lincoln (1861 a 1865) e Theodore Roosevelt (1901 a 1909). O projeto foi encaminhado e aprovado pelo Congresso Americano, que permitiu o financiamento inicial de U$ 250.000.

A construção do memorial começou em 1927, concluindo os rostos em 1939. Gutzon Borglum faleceu em março de 1941, então seu filho, Lincoln Borglum, assumiu a obra, finalizando-a no final de outubro do mesmo ano. O granito do monte Rushmore é considerado um dos mais duros do mundo, razão pela qual 90% das rochas, o que corresponde a 450 mil toneladas, foram retiradas com dinamite.

O resto pôde ser talhado com cunhas de aço e as marcas foram removidas posteriormente com revólveres de ar. A rotina dos 14 anos de trabalho era perigosa, até por não envolver muita tecnologia – dinamites, marretas e martelos foram os instrumentos rústicos usados para esculpir. Porém, nenhum operário morreu durante a obra que, de fato, custou o total de U$ 989.992,32, valor hoje considerado baixo pela grandeza do projeto.

Detalhe do trabalho em um dos rostos entalhados no Monte Rushmore
Detalhe do trabalho em um dos rostos entalhados no Monte Rushmore

Antes de falecer, Gutzon Borglum se uniu aos jornais Hearst para patrocinar um concurso de redação que contasse, em 500 palavras, a história dos Estados Unidos. O prêmio era gravar o texto do vencedor junto com os quatro presidentes esculpidos no Monte Rushmore. Um jovem chamado William Andrew Burkett ganhou, mas Borglum simplesmente decidiu não esculpir nenhum texto em sua escultura.

Em 4 de julho de 1971, Burkett doou uma placa de bronze de seu premiado ensaio, escrito em 1934 enquanto cursava a Omaha University Law School. A placa agora está pendurada no Borglum View Terrace no memorial. O Memorial Nacional do Monte Rushmore possui, atualmente, área total aproximada de 1.278 hectares, o equivalente a 5,17 km². Em 15 de Outubro de 1966, foi listado no Registro Nacional de Lugares Históricos.

Construção do Monte Rushmore, nos Eua
As condições de segurança do trabalho durante as obras eram precárias, porém não foi registrado nenhum óbito durante sua realização

Em 1998, o memorial passou por uma reforma que durou dez anos, no intuito de melhorar o ambiente para os turistas. A manutenção das esculturas é, hoje, responsabilidade de alpinistas que selam as fissuras causadas pela erosão.

Curiosidades sobre o Monte Rushmore

Desde a concepção do projeto, havia a preocupação de deixar o motivo da construção do monumento e uma homenagem à própria história dos Estados Unidos bem registrados. Para se ter uma ideia, Borglum pensou até em esculpir uma linha do tempo contendo nove momentos importantes do país. Porém, os planos foram deixados de lado por motivos estéticos até que, em 1938, surgiu o conceito do Hall of Records. 

Borglum pensou em uma câmara escondida atrás da cabeça de Lincoln na qual seriam guardados registros sobre o projeto, estátuas de outras figuras americanas e documentos históricos, como a Declaração da Independência. O governo não aprovou mais financiamento e o Hall of Records não ficou pronto antes da morte do escultor. Seus descendentes lutaram por décadas para que as obras fossem concluídas.

Até que, em 1998, uma câmara foi instalada no canyon atrás dos rostos esculpidos, contendo um cofre com 16 painéis de porcelana de esmalte. Neles, estão painéis com o texto da Declaração de Independência e da Constituição, a história dos EUA, biografias dos quatro presidentes e de Borglum, além da trajetória do próprio monte. Contudo, essa parte permanece inacessível aos visitantes.

O Hall of Records, no Monte Rushmore
O Hall of Records, no Monte Rushmore

Quem são os presidentes retratados no Mount Rushmore?

Quem são os presidentes do Monte Rushmore?
Os presidentes do Monte Rushmore

O Monte Rushmore é tido como o santuário da democracia, apesar de seu passado contraditório. George Washington, que liderou o nascimento da nação, e Thomas Jefferson, que liderou a expansão para o oeste, eram donos de escravos. Abraham Lincoln, que aboliu a escravidão, permitiu o enforcamento de 38 escravos após um conflito com colonos brancos. Por fim, Roosevelt teve um passado sombrio com nativos americanos.

Muitos nativos americanos, como os Lakota, Cheyenne, Omaha, Arapaho, Kiowa e Kiowa-Apache, apontam o monumento como profanação das Colinas Negras, onde está localizado, considerado um território sagrado.

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