História e fatos sobre a Ilha Miyake-jima, no Japão

A ilha é famosa pelos níveis de gás tóxico que obrigam os moradores a usarem máscaras.

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Imagine caminhar tranquilamente pelas ruas e, de repente, ouvir um sinal que te obriga a, imediatamente, colocar uma máscara de oxigênio. Essa é a realidade dos moradores da Ilha Miyake-jima, a 160 quilômetros de Tóquio. Situada na base do vulcão do Monte Oyama, a cidade é frequentemente coberta por uma nuvem de dióxido de enxofre, gás altamente nocivo para o ser humano. Curioso? Saiba a história e fatos sobre a Ilha Miyake-jima. 

O gás é expelido pelas erupções vulcânicas e, por isso, constantemente monitorado. Tudo fica ainda pior em razão do clima naturalmente frio e pesado na área. Quando o gás atinge níveis que deixam a qualidade do ar irrespirável, os alarmes tocam alertando os moradores a colocarem máscaras. Ou seja, para morar lá, é necessário andar com o apetrecho o tempo todo. 

Foto antiga com moradores da ilha Miyake-jima utilizando máscaras de gás
Foto antiga com moradores da ilha Miyake-jima utilizando máscaras de gás

Não é à toa que a ilha ganhou o apelido de “Cidade das Máscaras de Gás”. Vamos saber mais sobre como é a vida por lá, além do monitoramento e o histórico da Ilha Miyake-jima. 

Onde fica a Ilha Miyake-jima

A Ilha Miyake-jima fica na região de Honshu, zona costeira no sudoeste do Japão, mais precisamente, uma ilha classificada como estratovulcão. Trata-se de um vulcão cônico formado por magma extravasado. Assim, é cheia de pedras e cinzas em seu território. 

História da Ilha Miyake-jima 

A ilha de Miyake-jima foi criada há mais de 2.500 anos e tem uma área de 55,50 km². O fato de ficar no estratovulcão explica muito sobre a periculosidade da ilha. Os vulcões Vesúvio e Krakatoa, por exemplo, com suas enormes erupções, são estratovulcões. 

No caso de Miyake-jima, a cidade fica aos pés do Monte Oyama, com alto nível de atividade vulcânica, então vive assolada pelo medo de uma erupção a qualquer momento. 

Monte Oyama, no centro da Ilha Miyake-Jima, no Japão
Monte Oyama, no centro da Ilha Miyake-Jima, no Japão

Aliás, a ilha foi formada exatamente pela erupção de um vulcão! Ou seja, a população literalmente vive em uma linda, porém irritada bomba-relógio. 

Entre junho e julho de 2000, terremotos sucessivos atingiram a ilha. Adormecido por 17 anos, o Monte Oyama despertou com os tremores até que, no dia 08 de julho, uma grande erupção aconteceu. Sucessivas erupções aconteceram desde então, estendendo-se até o mês de maio de 2000.

Uma das erupções que ocorreram no ano 2000 na Ilha Miyake-Jima
Uma das erupções que ocorreram no ano 2000 na Ilha Miyake-Jima

As consequências de uma erupção vulcânica

Como se isso não bastasse, as erupções têm consequências muito mais amplas do que os próprios incidentes. Além da lava, cinzas e outras substâncias, vastas e mortais nuvens de gás também foram e continuam sendo liberadas. 

Periodicamente, o Monte Oyama expele enormes concentrações de gás dióxido de enxofre ao longo dos anos. Uma cidade nos pés de um vulcão obviamente não passaria despercebida por estudiosos da área. 

Vulcanologistas estudaram os padrões dessas emissões e descobriram que elas ocorrem em intervalos de 20 anos. Em determinadas épocas, os níveis foram tão altos que chegaram a 42.000 toneladas por dia. 

O ano de 2000 foi particularmente ruim, pois o ar ficou tão tóxico que a cidade, naquela época com 3.600 habitantes, precisou ser totalmente evacuada até o mês de setembro. As primeiras evacuações começaram no mês de junho do mesmo ano.

Abaixo você pode ver um vídeo que mostra a atividade do vulcão e as evacuações dos moradores.

O retorno dos moradores e a ilha atualmente

O retorno dos moradores foi permitido somente cinco anos depois e aconteceu gradualmente, a partir de 01 de fevereiro de 2005 até que, em janeiro de 2012, a população chegou a 2.775 pessoas. 

Hoje, o monitoramento da qualidade do ar é responsabilidade do Governo Metropolitano de Tóquio. A atividade vulcânica é acompanhada através de vídeos, helicópteros e imagens de satélite. 

Mesmo assim, todo mundo anda com máscaras de gás o tempo todo. Se os níveis de gás atingirem um determinado limite, alarmes de advertência soarão a qualquer hora do dia ou da noite. 

Ainda que o dióxido de enxofre, infelizmente, esteja presente no cotidiano moderno, a alta concentração pode afetar o sistema respiratório humano, além da vida vegetal da área. Também é um dos grandes causadores da chuva ácida. 

Por isso, a população passa por exames de saúde regulares, além de respeitar o limite de idade para frequentar determinadas áreas da ilha. 

É possível visitar a Ilha Miyake-jima?

Embora a cidade não seja exatamente ideal para turistas, é inegável que ela desperte a curiosidade! Afinal, em que lugar do mundo os moradores devem ficar sempre alertas para o caso de, inesperadamente, precisar colocar máscara de gás? 

Assim, o site da cidade aconselha os visitantes em potencial a aprender sobre os efeitos nocivos do dióxido de enxofre antes de embarcar, considerando o mal que faz à saúde. 

Também há a recomendação de que os turistas façam exames médicos respiratórios antes de reservar a viagem. E sim, eles também devem chegar com sua própria máscara.

A ilha de Miyake-jima atrai turistas que procuram, dentre outras coisas, mergulhar com golfinhos
A ilha de Miyake-jima atrai turistas que procuram, dentre outras coisas, mergulhar com golfinhos (Norio NAKAYAMA, CC BY-SA 4.0, via Flickr)

Fatos sobre a Ilha Miyake-jima

  1. Cerca de 100 km ao sul de Tóquio, existe uma região no Oceano Pacífico conhecida como Mar do Diabo, com vários registros do desaparecimento de navios (tanto que ganhou o apelido Triângulo das Bermudas do Pacífico). Embora não se saiba a posição exata da área, estima-se que Miyake-Jima esteja nela.
  2. Devido ao ambiente volátil com vazamento constante de gás, a ilha recebeu o sombrio apelido de Gas-Mask Town, ou Cidade das Máscaras de Gás. 
  3. O visitante pode comprar suas máscaras de gás na chegada à ilha, como no Terminal Takeshiba e na Loja da Associação Turística Miyakejima. O item é obrigatório para permanecer lá. 
  4. Após a grande erupção de 2000, a ilha levou um tempo para se recuperar, inclusive os tremores demoraram a cessar. Por oito anos, nenhum voo foi permitido para pousar ou deixar a ilha. Dois anos após a erupção, o Monte Oyama continuou emitindo de 10 mil a 20 mil toneladas de gases tóxicos por dia. 
  5. As erupções fizeram com que a ilha ficasse envolta em nuvens que chegaram a 15km de altura. Isso aconteceu devido ao fluxo rápido de gás superaquecido e a queda das cinzas ao redor da cratera. Os altos níveis de dióxido de enxofre também vazaram através do solo, esterilizando 20% da área.  
  6. Em maio de 2017, o Journal of Occupational Health publicou um estudo sobre os efeitos do dióxido de enxofre no sistema respiratório de adultos residentes na ilha. Surpreendentemente, não foi apontada deterioração da função pulmonar, mas sintomas de irritação respiratória, como garganta áspera e olhos irritados.
  7. Apesar do perigo iminente, a população conseguiu se adaptar, mesmo economicamente. A pesca e a agricultura, por exemplo, continuam sendo grandes indústrias ativas em Miyake-Jima. 
  8. Cerca de ⅓ da ilha permanece inabitável
  9. A ilha também tem suas belezas naturais, sendo famosa pelos pontos de mergulho com golfinhos. O turismo, inclusive, é uma atividade em constante crescimento, com visitas a casas abandonadas, carros achatados e prédios destruídos durante a grande erupção. 
    Ruínas de uma escola na Ilha Miyake-jima
    Ruínas de uma escola na Ilha Miyake-jima (Norio NAKAYAMA, CC BY-SA 4.0, via Flickr)
  10. Muita gente voltou como espécie de cobaias para experimentos científicos e recebeu verba do governo para esse trabalho. 

Quem tem coragem de visitar a Ilha Miyake-jima, no Japão? Se seu espírito aventureiro não chega a tanto, considere conhecer outras maravilhas pelo mundo, como a Cratera de Darvaz, no Turcomenistão!. 

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